Há muito para fazer. Aqui, ali, em casa, no jardim, no céu e no inferno. Onde buscar a força anímica para isso quando os ânimos fraquejam perante tantas forças contrárias? Quais os objectivos/metas para uma vida saudável, aprazível, digna? Amor? Amizade? Trabalhar para um bem comum? Que diabo quer isso tudo dizer quando ao pó regressaremos independentemente do que façamos? E porque raio nos perdemos por vezes nestas indagações infrutíferas quando, a título de exemplo, eu me poderia neste momento dedicar a escrever algo que sim, pusesse outros seres atormentados também a pensar mas sobretudo a resolver? Burrice pegada, falta de confiança ou apenas estupidez pura?
Hum… Nada disso, e se é que me permitirei chegar a conclusão alguma, aqui segue a tentativa #5426: Acontece apenas que o cérebro tem mecanismos de fuga múltiplos e variados, que se traduzem muitas e outras vezes em disparos para todas as direcções, pontapés em pedras que encravam unhas do dedo grande e deixam a descoberto cada vez mais questões, perguntas e dúvidas. Masturbações, é facto. Mas que são necessárias porque só existindo poderão ser ultrapassadas, e BINGO! Sim, pensar na futilidade de tudo o que se faz é em si fútil mas só materializando essa consciência se pode passar a uma acção mais digna pois, ainda que mantendo a sua futilidade, essa acção será sempre menos fútil que o acto de a pensar como inútil. Se não há questões, é porque não houve pensamento de profundis à priori. Muitos há que se dão bem sem ele (é difícil resistir, mas passarei esta sem o tão comum, típico e pateta paternalismo do "ai tão bom que deve ser"!), mas os já referidos atormentados de alma e espírito que não passam sem uma boa dose destes nauseantes exercícios, que se mantenham nesse caminho pois assim alcançarão o brilho no olhar de quem um certo Muito entende. Que de nada servirá é certo, mas ao menos fica bonito. Mas que esse brilho se não torne em ar de carneiro mal morto que cedo ganhou cataratas de tanto olhar e nada fazer. Aquele olhar com camada leitosa, cê tá vendo? E aí voltamos à questão da acção. Mais que não seja para que a massa cinzenta destas espirais do cogitar sem agitar nem fazer se mantenha afastada, por horas poucas que sejam mas ainda assim algumas na sua essência.
Por isso durmo, não sem antes me ter perdido no acompanhar do trajecto que a formiga que me persegue há mais de uma hora tem feito pelas lajes da tijoleira do chão que me ladeia: para trás, para a frente, para o lado, tenta subir e leva com o olhar do terror, volta a descer para se recompor. (PUNHETAS!) Acabo em bem: me vou resignar, não matar e decidir que no fundo é só pó e pouco chateia. E pronto, já rimou, já exercitou. Amanha vai fazer.
Santa Loucura, vai de retro Satanás! (Vai tu que eu não vou a lado nenhum!)
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